Fronteiras da Sanidade — Circulação Comunitária é um projeto do artista visual Carlos Henrique, selecionado pelo 2º ciclo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) em Pernambuco, na categoria Multilinguagens, com apoio da Lei Aldir Blanc, do Ministério da Cultura (MinC), do Plano Nacional Aldir Blanc (PNAB) e da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult/PE). A exposição reúne 12 obras em desenho e pintura digital e será realizada no Espaço Cultural Sítio das Flores (Guabiraba, Recife) e na Aldeia Agreste, Território Indígena Pankararu (Tacaratu/PE), com curadoria de Alder Augusto contendo ações de mediação cultural e oficinas formativas. O projeto dá continuidade à exposição "Fronteiras da Sanidade" selecionada no 1º ciclo da PNAB/PE, que realizou o Ato 1 na Escola de Artes João Pernambuco (04 a 15 de agosto de 2025) e o Ato 2 no Peixe Beta Espaço Cultural (12 a 22 de dezembro de 2025), no bairro da Várzea em Recife.
A proposta nasce da experiência de quase morte do artista após um grave acidente de trânsito que levou {a uma fratura exposta no fêmur esquerdo, durante o qual iniciou um processo de criação artística no leito hospitalar como forma de sobrevivência, autoconsciência e elaboração simbólica. A partir dessa vivência, a exposição investiga os limites entre sanidade e colapso, dor e imaginação, esperança e desespero, em conexão com a fragilização da saúde pública, e justifica-se pela urgência de investimento em ações afirmativas, valorização das pluralidades étnico-raciais e pela necessidade de ampliar o acesso à arte em territórios situados nas margens/ marginalidades. Dessa forma, a circulação comunitária da exposição consolida-se como um espaço gerador de diálogos que apontam para outras possibilidades diversas de existências e de ressignificação da memória, ampliando o debate sobre a arte como ferramenta de cura e crítica social e fortalecendo redes culturais locais.
Carlos Henrique
DIREÇÃO GERAL
Artista Visual
Carlos Henrique — também conhecido como Cyberpunk dos Trópicos — é artista visual, arte-educador e designer gráfico. Indígena, mestre em Artes Visuais pela UFPE e graduado pela URCA, sua produção atravessa dissidências sexuais e de gênero, transtornos mentais e identidade afroindígena, articulando desenho, pintura digital e estética cyberpunk. Foi Diretor de Imagem do Laboratório Bixórdia (2020–2024), Educador Museal da Oficina Francisco Brennand (2024–2025) e atualmente é um dos fundadores da Feira de Artes da Várzea (FAV). Realizou a exposição "Fronteiras da Sanidade" (Recife, 2025), selecionada no 1º ciclo da PNAB/PE, e executa sua circulação comunitária, contemplada no 2º ciclo. Integrou mostras internacionais como "Zonas de Compensação 8.0" (UNESP, 2021) e Ars Sexualis (UFRGS, 2022), e participou da Exposição coletiva "Efátá" (Curva Galeria, 2026) e da Semana de Artes Visuais do Recife (2026).
@cyberpunk_dos_tropicos
Curadoria
Alder Augusto é artista, ator, diretor, produtor cultural e bacharel em Ciências Sociais pela UFRB, com mais de 20 anos de atuação em arte, educação e memória coletiva. Natural de Pernambuco, desenvolve projetos de forte impacto sociocultural na Bahia, como a Quarta dos Tambores e o Kotebá de Humildes. Criador da metodologia Kotebá no Brasil — inspirada na tradição bambara do Mali —, sua prática combina entrevistas narrativas, jogos teatrais e criação coletiva, impactando comunidades quilombolas, urbanas e rurais no Nordeste. Desde 2024 radicado no Recife, atuou como curador da exposição Fronteiras da Sanidade (2025) e é idealizador da Feira de Artes da Várzea (FAV). Sua prática é orientada pelo pensamento afrodispórico e pelo teatro como ferramenta de transformação social.
@alder_augusto